Eu odeio desperdiçar comida. Deixar resto no prato.
E eu adoro elogiar a comida que a moça que vem aqui 2 vezes na semana faz. Ela fica toda orgulhosa, toda contente revelando quais foram os seus segredos culinários, seus truques que fizeram daquele prato, tudo aquilo que eu falei pra ela.
De fato, a comida é uma verdadeira delicia.
E uma empadão de soja com frango desfiado que ela fez, estava de dar inveja a muitos restaurantes por aí.
Porém no meio da soja, com o frango desfiado, alguns pedaços de tomate, pimentão, cebola e outras coisas que eu não identifiquei na hora, depois do terceiro pedaço, eu identifiquei o presunto. Presunto não! Presunto só presta, bem disfarçado no meio de muito queijo em uma boa lasanha.
Parei de comer.
Eu odeio presunto.
Ainda tinha um grande pedaço do empadão no meu prato.
E a moça estava lá na cozinha, conversando comigo e dando umas olhadas na minha reação pra cada coisa que ela fez.
O purê de batata dela é bom demais.
Mas aquele presunto... No empadão... Ainda estava lá no meu prato.
Eu ia ter que jogar fora, não tinha mais jeito, mas sem que ela veja, é claro. Teria que ser na moita, na surdina. Eu já elogiei aquele empadão, já deixei ela toda feliz, não posso simplesmente deixar um pedaço do empadão no meio do prato assim, tenho que fingir que comi. Não vou destruir o orgulho da moça e perder minha credibilidade de "degustador" gastronômico perante ela.
Tinha que esperar o momento certo.
Quando ela saiu da cozinha e foi lavar a varanda. Peguei o meu prato com apenas o empadão sobrando nele e fui subitamente em direção a cozinha, e indo para o lixo.
Mas cadê o lixo?
Onde foi que ela colocou?
De repente uma voz atrás de mim diz:
- Está procurando algo, Vinicius? (Ela sempre me chama pelo meu segundo nome)
Eu viro e digo:
- É... O lixo, não está aqui.
- Estou lavando la na varanda
Ela olha para o meu prato com um grande empadão no meio
- Não gostou não? – Fala ela com a expressão bem surpresa
- Gostei sim... Até encontrar o presunto. – Falo eu rindo meio sem graça.
- Você não gosta?
- Não... Só na lasanha mesmo
- Hum... Entendi.
- Mas estava uma delicia mesmo, até encontrar a merda desse presunto viu.
Ela riu e comeu um pedaço do empadão de soja, com frango desfiado e com o maldito presunto que coloquei em cima da pia.
Pelo menos a comida não foi desperdiçada né, apesar da minha credibilidade gastronômica abalada.
domingo, 30 de agosto de 2009
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6 comentários:
Olá!
Interessante...estava bom até o momento que você encontrou o presunto!
Sabe, eu também tenho um "quê" em relação à cebola. Se tem aquele monte de cebola no prato, não como. Eu fico "catando" os pedacinhos pra não comer. É até vergonhoso isso...rsss
abs!
Isso tudo me lembrou um episódio do Mr. Bean rsrs. Não encontraria problemas em ser sincero e falar que não dava pra comer, o ego da mulher já estava inflado, né? Bem, ao menos a falta de sinceridade o fez ter uma história pra contar rsrs, ou não teria mesmo graça.
pô e eu aqui na maior fome...
que bom que cê encontrou, e continue elogiando a comida, deixa as pessoas orgulhosas mesmo, eusei disso.
o sobre o post que vc comentou em meu blog (obrigado pelo comentário) eu num posso dizer, se é verdade ou não, coloco lá a fonte de onde eu tirei a informação, mas que é algo importante, isso é mesmo, e bem didatíco.
um abraço..
Tambem nao como presunto, nao gosto de encontra-lo por ai.
So nao é pior do que salsinha. hum
Abriu meu apetite
Quando é que você vai chamar a gente pra comer as delícias culinárias da cozinheira que sempre me diz que Carlos não está?
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